Redes de resistência: a percepção de movimentos feministas sobre políticas públicas de atenção ao parto

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53660/PRW-2119-3913

Palavras-chave:

Política de saúde, Parto humanizado, Participação social, Feminismo

Resumo

O estudo analisou a atuação de movimentos feministas nas políticas públicas de atenção ao parto na Região Metropolitana do Recife. Foi desenvolvido um estudo de caso exploratório, com abordagem qualitativa, através da realização de entrevistas com representantes de sete movimentos feministas. Os dados foram transcritos, codificados e analisados a partir da proposta hermenêutica-dialética. Os movimentos feministas avaliaram negativamente a organização e qualidade da rede obstétrica na Região Metropolitana do Recife. A atenção ao parto é marcada pela violência obstétrica e pela mortalidade materna, por isso os movimentos feministas pleiteiam por uma mudança radical que possibilite a humanização da assistência e substituição ao modelo hospitalocêntrico e medicalocêntrico. Nesse sentido, os movimentos feministas vêm ocupando processos de construção, implementação e gestão das políticas públicas, a partir de diferentes estratégias: a comunicação feminista e popular, a participação de espaços de controle social e a ocupação dos espaços legislativos.

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Publicado

2024-04-19

Como Citar

Araújo, M. R. A. de, Maia, L. T. de S., Martins, R. D. ., & Silva, A. L. A. da. (2024). Redes de resistência: a percepção de movimentos feministas sobre políticas públicas de atenção ao parto. Peer Review, 6(9), 33–47. https://doi.org/10.53660/PRW-2119-3913

Edição

Seção

Artigos